Desde a emancipação, Câmara de Votorantim integra a construção da cidade

por Comunicação publicado 30/03/2026 13h20, última modificação 30/03/2026 13h35
Instalada junto com o novo município, em 1965, a Casa começou de forma improvisada, acompanhou o crescimento urbano e se consolidou como parte da vida pública votorantinense Por Raphael Moreno - Estágiario de Comunicação

A história da Câmara Municipal de Votorantim começa com a própria formação do município. Depois do plebiscito realizado em 1º de dezembro de 1963, que confirmou a vontade da maioria da população pela emancipação, Votorantim deixou de ser distrito de Sorocaba e passou a construir sua trajetória administrativa e política. O município foi criado pela Lei Estadual nº 8.092, de 28 de fevereiro de 1964, e instalado oficialmente em 27 de março de 1965.

Naquele dia, uma solenidade no Clube Atlético Votorantim marcou a posse da primeira administração autônoma da cidade. O vereador mais votado, Domingos Mitidieri Filho, assumiu a presidência da Câmara e deu posse ao prefeito Pedro Augusto Rangel e ao vice-prefeito Laurindo Alves da Silva. Começava ali a história do Legislativo votorantinense.

Poucos dias depois, em 1º de abril de 1965, foi realizada a primeira sessão ordinária da Câmara Municipal. Os nove vereadores da primeira legislatura iniciaram os trabalhos em um cenário ainda distante da estrutura existente hoje. O prédio que abrigou os primeiros passos da Casa, atual sede do Legislativo, funcionava então como uma pequena facção têxtil e foi cedido sem reforma nem adaptação.

Primeiro diretor da Câmara, Edson Veronese recorda que o início foi marcado por carências e improvisos. Segundo ele, não havia mesas, cadeiras nem material de expediente. O plenário foi montado com carteiras escolares aproveitadas de um curso realizado durante o processo de emancipação do município. A estrutura administrativa também era mínima. A Câmara começou com apenas três funcionários: o próprio Veronese, na secretaria, uma servidora responsável pela limpeza e pelo café, e um vigia noturno.

A falta de recursos era tanta que servidores e vereadores levavam de casa papel, canetas e outros itens básicos para manter o funcionamento da Casa. Nos primeiros meses, o município ainda não dispunha de arrecadação regular e a rotina exigia esforço redobrado de todos os envolvidos.

As sessões ocorriam às terças e sextas-feiras, sempre a partir das 20 horas, e muitas vezes atravessavam a madrugada. Vários vereadores eram operários. Em alguns casos, saíam do plenário direto para o trabalho nas indústrias. Nas primeiras legislaturas, também não havia remuneração para os parlamentares. O trabalho era sustentado pelo compromisso com a cidade recém-instalada.

Edson Veronese resume aquele período como um tempo de dedicação e senso de missão. Para ele, o que movia a Câmara era a disposição de ajudar a organizar um município que dava seus primeiros passos. A precariedade da estrutura, no entanto, não impedia o funcionamento do Legislativo nem diminuía a importância das decisões tomadas naquele momento.

Quem acompanhou de perto parte dessa trajetória foi o jornalista José Antonio Rodrigues, o César da Folha. Ele passou a frequentar a Câmara em 1978, quando a Casa funcionava em um espaço apertado no prédio da Rua Monte Alegre. Segundo ele, as sessões já revelavam a força do debate político local e o empenho dos vereadores em tratar das demandas da cidade.

Na avaliação do jornalista, a Câmara nasceu em um momento decisivo para Votorantim e ajudou a dar direção ao município. Mesmo em fases distintas e sob diferentes composições políticas, o Legislativo manteve, segundo ele, uma ligação constante com os interesses da população e com o crescimento da cidade.

A relação com a imprensa, no entanto, era bem diferente da atual. Naquele período, a Câmara não contava com assessoria de comunicação. A divulgação das decisões e discussões dependia, em grande parte, da cobertura dos veículos locais. César da Folha lembra que o jornal exercia papel importante como elo entre o Legislativo e a comunidade.

Ao longo dos anos, a Câmara também mudou de endereço. Depois de funcionar no prédio inicial, transferiu-se para um imóvel na antiga Rua do Comércio, atual Avenida 31 de Março. Mais tarde, passou a ocupar um casarão na esquina da Avenida 31 de Março com a Rua Monte Alegre. Em meados de 1982, retornou ao primeiro prédio, já desapropriado e incorporado ao patrimônio público.

Com o avanço de Votorantim, a estrutura do Legislativo também precisou crescer. Novas salas foram construídas, setores foram criados e o prédio ganhou pavimento superior. O que começou em espaço improvisado, com móveis escassos e quadro reduzido de servidores, se transformou em uma instituição consolidada e integrada à rotina administrativa do município.

A trajetória da Câmara Municipal de Votorantim reflete, assim, o próprio desenvolvimento da cidade. Desde os tempos em que as sessões avançavam pela madrugada e os vereadores ocupavam carteiras escolares, até a estrutura atual, a Casa acompanhou as mudanças do município e participou de sua construção institucional.

Mais do que guardar a memória de seus primeiros anos, a história da Câmara ajuda a compreender o caminho percorrido por Votorantim desde a emancipação. É uma história feita de trabalho, adaptação e participação pública, lado a lado com o crescimento da cidade.